segunda-feira, 26 de maio de 2008

foram horas de silêncio. nenhum som além da respiração dos dois. os olhos falavam por eles.
trancados ali naquele quarto, sem mencionar nenhuma palavra, souberam tudo um do outro.
uma lágrima percorreu o rosto dela por saber o quanto ele a procurou em outros rostos, corpos, cheiros e vozes. a dele, caiu pela fidelidade dela ainda quando distante. era explicito o desejo de ambos de se tocarem, se sentirem, mas ainda assim permaneciam cada um num canto oposto do cômodo.
ela tocava seu proprio cabelo com os olhos fechados.
ele devorava cigarros compulsivamente.
ela queria correr pra perto.
ele queria nao querer.
ela espiava cada detalhe dele.
ele tentava nao lembrar de nenhum detalhe dela.
sentimentos identicos. tratamentos tao distintos.
o coraçao dele endurecia como uma rocha a cada instante.
o dela, se desmanchava mil vezes por segundo.
preferiu fechar os olhos enquanto ele saía. preferiu nao ver. preferiu nao mais abrir os olhos pra nao perceber que ele nao estava mais ali. dessa vez, ela conseguiu alguma coisa do que preferia. preferiu continuar ali, como uma estátua, apertando os olhos e vivendo um amor inventado. preferiu nao estipular datas, nao fazer planos, nao ouvir e nem falar. preferiu viver tudo aquilo até o fim, ainda que sozinha. quieta. no canto oposto do quarto.

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