voltando a si, ela junta suas coisas. veste a roupa num piscar de olhos, quase em fuga.
- tá tarde. vamos?
espera a deficiência dele na arte de ser rápido e simples. conta cinco minutos pra que, o que ela fez em menos de um e meio, seja executado por ele também. bate o pé. olha no relógio. acende um cigarro enquanto entra no carro e bota o cinto.
- tá tarde!, insiste
ele entra com o nivel de preocupaçao estacionado no zero e antes mesmo de a porta bater, ela já acelerava para sair dali.
- bom conversar contigo, diz sorrindo de um jeito meio forçado, sem nem desligar o motor, apressando a saída.
- bom conversar contigo também... (é, ele também nao tinha o dom das palavras)
liga o som num volume ensurdecedor. acelera a ponto de fazer o motor roncar. pára em frente ao mar e observa se despedindo. muda de idéia! bota os pés na areia, de quem tanto desgosta, e tira cada peça de roupa ritualisticamente. entra no mar pé ante pé e afunda o corpo lavando a alma.
ali, com a água gelada envolvendo cada poro, ela se arrependia amargamente de tudo. de tudo. do ano perdido. do sentimento gasto a toa.
afundou-se de novo na agua e ali permaneceu por quase um minuto. caminhou até a areia de novo e tirou o pouco de roupa que ainda lhe sobrava.
entrou no carro se cobrindo com o cobertor. deixou pra trás muita coisa além da saia velha e do sutiã de oncinha. ligou o som e seguiu pra casa num caminho novo. um caminho dela, só dela. um caminho por onde, mesmo que quisesse e insistisse, ele nunca poderia passar.
quinta-feira, 15 de maio de 2008
reclama, Maria Gabriela às 02:49:00
Assinar:
Postar comentários (Atom)


2 comentários:
podes ficar orgulhosa ó
pq eu juro q tento, mas não consigo te entender
=P
hauahauha
=*
Eu adoro...
E entendo...
Ou acho que entendo...
Bjos Bisss
Postar um comentário