quarta-feira, 18 de junho de 2008

ela ja nao sabia mais o que esperar, entao optou por nao esperar mais nada. passava os dias ali, estagnada, fazendo as pequenas coisas rotineiras e, às vezes, se dando ao luxo de algum prazer mundano. comia porque tinha de comer. nao escolhia mais o que, apenas se alimentava para se manter em pé. tomava banho porque sentia obrigaçao. nao combinava mais as roupas.
digeria os livros e filmes como quem digere uma alface. sem enzimas(?) suficientes pra absorve-los. mas continuava mesmo assim lendo e assistindo. engolindo.
passou a acordar as 12h. as 13. as 17. ja quase nao dormia enquanto praticamente todo o mundo fechava os olhos pra descansar. e lacrava os seus quando todos os abriam.
fuga ou nao, ela optou assim.
o cotidiano da rotina desregrada e vazia se repetiu por dias, que formaram semanas, que completaram mais de uma das quatro estaçoes. ela assim seguia, sozinha, enxugando suas próprias lágrimas e rindo consigo mesma quando nao havia mais saída.
e foi entao, no final do inverno que ela se desligou.
acordou rodeada de gente, com um barulhinho irritante de fundo(que ela veio a saber mais tarde que era o que informava aos medicos, de longe, que seu coraçao tava batendo) e uma criatura estranha arrumando aparelhos e perguntando se ela tava bem.
vendo o corpo cansado daquela tristeza e o peito batendo cada vez mais rastejante, a cabeça dela resolveu dar um tempo. um longo tempo. já era começo de verao e, talvez por conta dos remédios, ela se sentia mais leve. ficou feliz por ter tanta gente por ali, mas mais ainda por encontrar no criado-mudo, ao lado da cabeceira da cama, uma caixinha com algumas fotos rabiscadas e cerca de 60 bilhetinhos escritos, um pra cada dia, da visita que nao estava ali.
no ultimo, ironicamente, dizia: só quando nao pude mais ver o teu olho brilhar é que percebi o tamanho a falta que isso me faz. volto amanha esperando matar a saudade.
e hoje, com os olhos brilhando mais que nunca, ela sabe que foi por aquele bilhete, sussurado na noite anterior nos seus ouvidos, que ela resolveu olhar o mundo de novo.

2 comentários:

Anônimo disse...

profundo!

Anônimo disse...

cabo da maquina

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