sábado, 25 de abril de 2009

parei de sentir os pés. logo em seguida, nem via mais minhas mãos. sabia que as lagrimas escorriam pelo rosto unicamente porque as via no espelho. o coração já nao tinha forças pra bater, as imagens começavam a ficar turvas. percebi o vermelho no chão, mas nao sentia a dor. nao tinha desespero, como antes. nao tinha som. nao tinha riso e nem mao que afagava, batendo. ali, ninguém mais me atingia. tinha achado um jeito, uma forma de mostrar ao mundo que só eu poderia me atingir de verdade, e que tinha descoberto que só assim as outras pessoas parariam de me fazer sofrer.
encostei na parede quando as minhas costas já nao me suportavam mais e fui escorregando devagar, sem relutar tentando me ajeitar ali. senti o sangue molhar minha pele. senti uma palpitação repentina no peito. senti tua mão nos meus cabelos.
respirei bem fundo. fechei os olhos. larguei a vida.

sábado, 28 de março de 2009

enquanto tua guerra é gritando na luta contra tudo pra não ficar sozinho, a minha é quieta, trancada, lutando pra suportar a dor de já estar.

quarta-feira, 18 de março de 2009

"As pessoas ficam procurando o amor como solução para todos os seus problemas quando, na realidade, o amor é a recompensa por você ter resolvido os seus problemas", disse um tapado que precisava iludir alguem.
se amor fosse mesmo recompensa, um prêmio pelo bom trabalho feito por si mesmo, ele nao viria assim como furacão. nao viraria a vida da gente de pernas pro ar. nao acabaria e deixaria a bagunça toda pra gente arrumar sozinho.
amor é maldade travestida: de longe, engana, mas de perto a gente bem vê que nao é o que parece. te oferece 5min de alegria em troca de 5 anos de desespero. te mostra o lado mais legal das coisas que é pra te lembrar que o lado que tu tens é fodido mesmo e que tu vais ter que conviver com aquilo. amor é a velha feia de joão e maria: te dá os doces pra te enganar, mas no fundo só quer te comer.

terça-feira, 17 de março de 2009

shit

domingo, 11h da manhã de 21 de maio de 2017.
o sol tava quentinho. nao aquele calorzao maluco, só quentinho. permitia as blusas 7/8 de que tanto gosto. a grama verdinha. o céu limpinho. as cadeiras alinhadas, o banda preparada, o padre a postos e noivo, lindo, com olhar brilhante e maozinhas cruzadas frente ao corpo.
copos-de-leite adornavam o caminho onde um tapete branco estava estendido. longos.
bem-te-vis organizavam-se em coro. vários.
parecia ainda aquele velho sonho, digno de beliscões para que se tornasse verdade.
silêncio. cochichos isolados. violinos!
caminhando lívida, linda, com um vestido afofado pelas mil camadas de tule branco, o sapato sem salto e as rosas vermelhas na mao, acontecia a vagarosa aproximação entre eles. passo a passo, eu podia sentir o coração acelerando com a proximidade do altar, do amor.
caminho longo.
caminho cruzado.
caminho passado.
mãos dadas depois do beijo roubado no rosto.
ele levantou o véu e... ei, essa não sou eu!

quarta-feira, 11 de março de 2009

Se "Se ainda não deu certo é porque não chegou ao fim" fosse verdade, meu Deus!, hoje eu teria sérios problemas pra dividir meu tempo entre aulas, estágio e dois namorados. Ainda bem que as coisas são como são, e que os ditos populares realmente tardam e falham, afinal, se água mole furasse a pedra dura, eu taria numa espécie de cachoeira que beira um buraco negro.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

M. G. TEIMOSA C. P.

teimosia é e sempre foi meu nome do meio, e talvez tenha sido esse o motivo da minha (imensa) persistência em relaçao a ti. a crença infundada de que um dia tu fosse acordar e ver que eu tenho cá minhas qualidades e que elas realmente valem alguma coisa. mas, e antes tarde do que nunca, venho por meio deste informar que desisti. sim, de ti. nao de ti do meu lado, mas de ti como pessoa. desisti do tanto de tempo e esforço que essa relaçao unilateral me exige. desisti de ver o leite condensado ferver enquanto espero as longas horas de atraso que sempre te envolvem. desisti de abrir mao do lado direito da cama e ouvir um "eu mereço" sempre.
desisti de abrir mao sempre do meu pelo teu. de me anular pra te deixar grande. desisti dessa lavagem cerebral que consiste em milhares de implicâncias com uns agrados espalhado entre elas. agrados esses que me deixam muito feliz, admito, mas, admito também acreditar merecer mais.
cansei dos restos. só me contento com o prato principal. e servido em bandeja de prata, no mínimo.
garçom?

domingo, 25 de janeiro de 2009

Nao sei bem como sao cartas de despedida, porque, confesso, nunca li uma. Nao sei nem em quais situaçoes elas se encaixam. Nao sei se só tenho o direito de redigi-la se estiver na beirada do pulo pro céu, ou se o céu for só um aviao que me leve embora por 3 meses ou 30 anos. Nao sei o que posso ou nao te dizer. O que devo. Ou o que, com certeza, tenho a obrigaçao de camuflar entre palavras doces que ostentem o nosso tempo de vidas cruzadas e apague todo o atrito e consequente desgaste decorrente nela.
Desde já, aviso que a despedida realmente há de ser da boca pra fora. Acredito que nao tenha como dizer adeus pra quem dorme e acorda no meio dos pensamentos da gente; pra quem vive na estante como uma coroa guardada ou um livro de capa verde. Mesmo sendo a autora do ato, nao sei como uma peça com desejo (certamente) impossivel possa vir a se apresentar. Nao desejo palco. Tampouco espectador. Nao desejo nem o adeus, mas sei a necessidade de faze-lo nascer.
Saiba, entao, que despedidas nao sao tao duras quando se realmente há de partir. Nao sao tao crueis quando há mudança dando as maos pro que sobra. E é acreditando fielmente nisso que sinto o coraçao se despedaçar em mil: nao haverá mudanças; tudo ficará intacto, do jeito que deixasse quando a porta fechou. Até tua presença continuará em casa. Tua bagunça, que a partir de hoje eu faço questao de nao arrumar mais. Tua braveza e teus gritos, que prendi com janelas fechadas. Aqui dentro, tudo vai continuar igual. Aqui, dentro de casa e dentro de mim. De mim. Aí fora, onde ficas tu e os teus, já nao vai mais ter gritos instáveis, receitas azuis ou surtos inexplicáveis, porque eu já nao vou mais estar por perto. Mas ainda assim, vou cuidar de ti pra sempre, mesmo que só dentro de mim. Vou te curar a dor de cabeça, te fazer a sobremesa condizente com o clima, lavar tua roupa e puxar tuas orelhas, mas tudo de uma distância suficientemente grande pra que nao atrapalhe mais nada; pra que tu nem percebas mais a minha existência, até que um dia, nem lembre que eu existi.
Vou deixar as lembranças comigo, que faço delas cada vez melhores, e onde tenho certeza que nunca hão de se perder.
Vou deixar as tristezas no lixo, mas prometo também nunca levar o lixo pra fora, pra que algum dia eu aprenda com a dor.
Vou deixar a tua vida em paz, livre, feliz como comigo nao há de ser.
Vou deixar, aos poucos, que a alma anestesie e eu ja nao sinta mais o teu cabelo macio no meio dos meus dedos.
Vou deixar, meu amor.
Vou te deixar...

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

eu odeio a impossibilidade de ação na qual eu estou presa agora, odeio a tua falta de coragem de me olhar nos olhos, odeio nao ser grande o suficiente pra te manter parado segurando forte as tuas mãos, odeio tua falta do meu lado e a falta que tu sentes de mim aí. odeio as aparências, odeio os monólogos, odeio a porra da caixa postal da merda do teu celular. odeio te ver nos meus sonhos, odeio te ligar sonâmbula, de madrugada, odeio saber o teu número de cabeça...
odeio pegar a tradução daquela maldita música e achar linda, odeio saber que ela nao te significa nada e ODEIO ter que engolir isso tudo sem um copo de água e dois ou três lexotans.
odeio ter que me explicar, odeio tu nao me entenderes, odeio a teimosia e a dificuldade na comunicação. odeio nao receber respostas, odeio me incomodar tanto com isso, odeio ter tanto ódio e principalmente: odeio até hoje nao definir a divisao entre ele e o amor.
por fim, até que se mostre digno do contrário, esteja avisado: EU TE ODEIO! e tenho dito!

domingo, 16 de novembro de 2008

"Não sou diversão nem passatempo. Tenho cabeça, coração e me respeito.
Sou pessoa de dentro pra fora.
Minha beleza está na minha essência e no meu caráter.
Acredito em sonhos, não em utopia.
Mas quando sonho, sonho alto.
Estou aqui pra viver, cair, aprender, levantar e seguir em frente, sou isso hoje... Amanhã, já me reinventei.
Reinvento-me sempre que a vida pede um pouco mais de mim.
Sou complexa, sou mistura, sou mulher com cara de menina... E vice-versa.
Me perco, me procuro e me acho.
E quando necessário, enlouqueço e deixo rolar...
Não me dôo pela metade, não sou tua meio amiga, nem teu quase amor, ou sou tudo ou não sou nada!
Não suporto meio termos.
Sou boba, mas não sou burra.
Ingênua, mas não santa.
Sou pessoa de riso fácil...e choro também...
Por fora sou um conceito seu, por dentro uma personalidade que é só minha."

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

nao eh meu...

"Estar com você é como ter tudo e não ter nada. Em você eu encontro aquilo que mais preciso numa luta injusta contra o relógio. Porque hoje somos só raros momentos. Envolvidos de magia e desespero.
Ah meu amor, porque quando você levanta e eu vejo suas costas, tudo que era doce torna-se amargo. E eu vejo claramente em seus olhos a falta de disposição para mudar a situação.
Você não cansou só de mim e do nosso relacionamento tortuoso. Você cansou do que via no espelho. Cansou de ter alcançado a perfeição e de tê-la perdido com a mesma facilidade. Cansou de ter sonhos alcançáveis. Cansou de ser alguémk regrado e que sofre como tantos outros. Você cansou da normalidade.
E por fim quem te fez assim fui eu. Que usei moldes ideais para satisfazer e dar continuidade aos meus sonhos rosas de príncipes encantados.
Veja só que ironia... Agora aqui estou eu te desejando ainda mais no momento em que transforma-se em vilão. Que me usas, me dobra, amacia e joga fora. Quando viras minha alma ao avesso sem dó, nem piedade.
Mas está tudo bem. Eu te entendo. Aceitar todas as culpas e visíveis falhas nunca foi tão fácil. Eu já não me importo em ser bruxa, monstro, um ser abominável desde que seja o teu.
Eu deixo tu brincares comigo, destruindo todos os meus conceitos feministas, até que eu não tenha mais joelhos para implorar. Até que minha tolerância vá para o saco.
Meu bem, ainda há tempo! Aproveite-se de mim e da minha momentêna falta de amor próprio. Os teus beijos vazios estão me preenchendo. Eu ainda estou fingindo acreditar nas tuas desculpas em não me atender. As tuas lágrimas maquiadas ainda me comovem. Ainda resta espaço pra você e resquícios de fé por aqui. Ainda desejo intensamente você, que afinal sabe, quando quero algo vou até o final.
E desculpa descobrir o teu segredo, mas eu sei que você também sabe que para nós nunca existirá o final.
Ele está salvo comigo. Eu prometo." Fernanda Gava

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