entao, cês já pararam pra pensar como seria o velório de vocês?
eu já. já vi o meu todinho, num filme na minha cabeça, e ó... fiquei puta com o que vi!
...
eu tava linda e com piastra (porque é óbvio que se minha mae me enterrasse crespa, eu socaria ela no céu). de branquinho, que era pra eu parecer um anjinho. sapato de boneca, luvinha anos 50. absolutamente digna. sem rugas, porque morrer enrugada ninguém merece!
fase 1, ok!
...
portinha aberta, bombando de gente. aquela capelinha da beira-rio, sabe? neguinho do outro lado da rua fumando um pra aturar a barra. gente alisando a minha mae pra tentar amenizar. a paula contando pra jubs que agora a bibi ia olhar lá de cima. um chororô danado. gente dizendo que ia sentir minha falta.. blá blá blá.
fase 2, ok?
bééééééé
TUDO ERRADO! aqui foi o ato BEM falho que me deixou puta da cara. e sinto muito se quem resolver ler se sentir ofendido. a intençao nao é essa, mas o puxão de orelha é pra ser estendido pra que as pessoas se liguem. nao só quanto a mim. na verdade, nem precisa se ligar quanto a mim. se liga no resto que já tá de bom tamanho.
quando eu imaginei tudo isso, óbvio, imaginei algumas pessoas específicas (das quais nao vou citar o nome porque nao sou besta nem nada) e suas prováveis reaçoes:
imaginei aqueles recém conhecidos, que fariam caras inconformadas e reclamariam a minha falta.
1a MENTIRA! ninguém sente falta do que nao conhece direito.
imaginei aquela gente que me conhece há anos, mas nao me vê há décadas, dizendo que queria ter podido me ver, conversar. ter feito alguma coisa...
2a MENTIRA! se tu tens vontade de ver/falar/conviver com alguém, tu vais e vês/falas/convives com esse alguém. se lamentar depois do leite derramado só significa que o esforço pra que ele nao derramasse ou nao houve ou nao foi suficiente. falha sua. entao nao chore! se esforce mais. corra mais quando suspeitar a queda. estique mais o braço e tente com mais sagacidade com REAL intençao de frustrar o fato. veja seus amigos enquanto vivos. nao lamente nao ter ido a sua casa e sentado no chao enquanto falavam besteiras. vá! e se decidir por nao ir, seja maduro o suficiente pra lamentar apenas a sua incompetencia quanto amigo.
imaginei aqueles que chorariam incessantemente, com soluços acompanhando, dignos de água com açúcar. aqueles que, enquanto viva, nem sequer me olhavam na cara.
3a MENTIRA! se nao tens a capacidade de baixar a guarda e abrir um sorriso. nao espere ver ninguém morrer pra fazê-lo com os olhos cheios de lágrimas.
amor, amizade, companhia e ajuda nao valem de nada pra quem nao tá vivo. nem choro. nem viagem. nem lembranças.
entao, a quem interessar possa, me ame agora! chore/ria/divirta-se COMIGO. viaje para que eu também possa te encontrar. passe lá na casa da mãe e diga: tia, que bom te ver bem.
se for pra esperar só lembrar que me amou, chorar por mim, lamentar a falta de tempo pro riso, a falta do encontro, ou se for passar lá em casa pra dizer: tia, sinto muito... fique em casa que eu aprecio mais. peço um enterro como indigente, com a roupa do corpo e um caixão de madeira reciclável(é esse o nome daqueles que se desmancham rapidinho?). sem gente. sem choro. sem coisas que eu preferia ter perto ainda viva, mas que pra ganhar precisei estar morta.
:)
passar bem
segunda-feira, 14 de abril de 2008
aqui? jaz...
reclama, Maria Gabriela às 02:51:00
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