quinta-feira, 29 de maio de 2008

forgive and forget

ela pára o carro devagar. desliza o vidro, devagar. tira o cinto devagar. tao segura de si mas tao pequena diante dele. tao medrosa. tao inocente. tao dele.
- demorei?
- menos do que eu imaginei.
abre a porta e sai. devagar. tudo muito devagar, muito calculado pra nao errar de novo.
- fiquei feliz por tu teres me ligado.
- é, queria te ver.
- faz tempo que quero te ver também, mas tava difícil, né?
- eu preferi assim. por um tempo, sabe? pra esfriar a cabeça. botar as coisas no lugar.
os olhos dela se enchem tanto de alegria que chega a escorregar até a boca, num sorriso que nao se segura. era tudo o que ela queria começar a ouvir.
- entao agora as coisas tao no lugar?
- tao sim. por isso que eu quis te ver...
o sorriso aumenta. o coraçao acelera. aquilo de ir devagar já tinha ido embora sem ela nem perceber. corre sem pensar num abraço guardado por tempos no peito dela. aperta forte. fecha os olhos pra sentir mais. segura ele ali por uns minutos eternos até que ele se afasta.
- entao, eu te chamei aqui porque tudo o que aconteceu me fez mal demais. me doeu demais. e eu precisei de tempo pra esperar passar, pra poder te olhar sem ódio, sem rancor...
o sorriso dela cresceu tanto que quase o interrompeu. ela estava ali, pronta pra dizer sim. pronta pra ir pra casa com ele, deitar abraçada, fazer mil planos. chegava a estar radiante e quase sem caber em si.
- e agora, continuou ele, que o coraçao acalmou, te ver era o que faltava pro forgive and forget. esclarecer as coisas, exorcizar os fantasmas e seguir em frente.
em questao de segundos o rosto dela desmanchou-se inteiro. o sorriso acabou. o brilho dos olhos se fez numa lagrima escorrrendo no lado esquerdo do rosto. lagrima essa que ela limpou de imediato pra que ele nao visse (tentativa frustrada!).
- e entao eu vim até aqui pra...
- pra gente ficar em paz e seguir, cada um com a sua vida...
dessa vez ela nao conseguiu conter. nao eram mais gotas isoladas passiveis de disfarce. ela levantou-se mais rápido que a luz, bateu a porta do carro sem perceber e nem lembrou do cinto. fugiu o mais depressa que pôde. passou pela lombada sem nem nota-la. tinha os olhos embaçados. acelerou mais. ouviu o carro ranger. viu o cigarro cair dos dedos, nao viu a curva e nem mais nada.

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